Sinestesia: Pessoas que sentem cheiro de cores, sabores ou cores em sons, cores em números e letras

“Eu sinto cheiro de cores. Azul tem um cheiro, vermelho outro, amarelo, verde, todas as cores têm cheiro. Se vejo algo colorido é como cheiro de tutifrutti. Isso é normal?” (Alexandre D.)

É normal sim, Alexandre. Estudos sugerem que cerca de 4% da população mundial apresenta esse fenômeno, chamado de sinestesia. Inclusive eu, mas a minha é diferente da sua: para mim as letras e números têm cores, então os dias da semana e do mês sempre tiveram cores, e eu achava que todo mundo era assim. Até o dia em que comentei com alguém e a pessoa me olhou como se eu fosse doida.

A sinestesia resulta de um cruzamento entre alguns sentidos, então o estímulo de um sentido provoca reação em outro. Isso não quer dizer que uma reação seja trocada por outra, o que acontece é uma soma de sentidos. Não é uma doença e sim uma diferença neurológica, herdada geneticamente. Se você tem, provavelmente alguém próximo na família também (no meu caso é minha mãe, e a sinestesia dela é bem diferente da minha).

Existem dois grupos de sinestesia: sinestesia perceptiva e sinestesia conceitual. A perceptiva ocorre em uma área cerebral chamada giro fusiforme (responsável pelo reconhecimento de faces, corpos, cores e palavras), e resulta na interferência física do outro sentido, por exemplo, a letra A é vista em rosa. Já a sinestesia conceitual acontece no giro angular do cérebro (responsável pela leitura, processamento de números, noção espacial e recordações) e o outro sentido não interfere fisicamente, por exemplo, para mim a letra A não é vista fisicamente rosa, apenas mentalmente. Já foram documentados cerca de 54 tipos de sinestesia dentro desses grupos e a percepção de cores em letras, números e símbolos é a mais comum. Outros tipos incluem perceber cores ou cheiros nos sons, ver os números em posições específicas do espaço, perceber personalidades nas letras e números, sabor em cores ou sons, sensações ou formigamento em partes do corpo ao ouvir determinados sons e por aí vai.

Estudos sugerem que cerca de 4% da população mundial apresenta esse fenômeno, chamado de sinestesia. Foto: Reprodução/taringa

A maioria dos sinestetas apresentam mais de um tipo de sinestesia, e para os que tem apenas um, é só prestar mais atenção aos sentidos e outros poderão aflorar, segundo especialistas. Essas percepções dos sentidos não mudam com o tempo, se o som grave tem a cor azul, sempre será azul. E também é pessoal, cada sinesteta tem sua cor para uma letra ou som, por exemplo. A sinestesia costuma ser um ponto positivo, mas existem pessoas que às vezes reclamam, como o caso de uma mulher que vê a cor preta em sons graves e não suporta lugares como baladas, pois quando o grave toca, surge uma imensa bola preta piscando na frente dela. Outra mulher não suporta ver coisas vermelhas porque ouve um som agudo. (Aí está mais um fato: a sinestesia ocorre mais em mulheres, mas ainda não se sabe exatamente porquê).

Muitos sinestetas não percebem que apresentam essas ligações de sentidos, por acreditarem que é algo comum a todas as pessoas. Não pense que associar uma imagem a uma palavra como calor e sorvete ou verão e praia, é sinestesia. Essa associação de imagens é feita pela memória, que nada tem a ver com os sentidos, é só uma recordação. A sinestesia é muito útil em várias atividades artísticas, em particular na música, pois auxilia na análise musical servindo de parâmetro para combinação de ritmos, tons e intensidade!

tussendezinnen.10
Essas percepções dos sentidos não mudam com o tempo, se o som grave tem a cor azul, sempre será azul. E também é pessoal, cada sinesteta tem sua cor para uma letra ou som, por exemplo. Foto: Reprodução/kunstthijs

Fonte: psychologytodayscielo