Câmera inspirada em olho de crustáceo pode enxergar câncer

Os animais que vivem embaixo da água desenvolveram estratégias para conseguir enxergar bem no ambiente em que vivem. Nós humanos temos alguma alteração na visão quando olhamos embaixo da água porque a água absorve e dispersa a luz, prejudicando elementos importantes da visão humana. Os camarões louva-deus, que não são camarões e sim estomatópodes, tem olhos bem diferentes que estão ajudando pesquisadores  da Universidade de Queensland a criar uma câmera que identifica tecidos cancerosos e até atividade cerebral.

Esses animais são muito sensíveis a variações na polarização da luz, conseguindo perceber qual a orientação que a luz toma depois de ser refletida por um objeto. Como superfícies diferentes refletem e polarizam a luz de maneiras diferentes, os estomatópodes são capazes de enxergar coisas que estão invisíveis aos nossos olhos. Isso é possível para os estomatópodes porque o olho desses crustáceos é formado por um grupo de unidades conhecidas como omatídeos. Além disso, a luz passa por uma córnea e por pigmentos coloridos, é exposta a uma série de células fotossensíveis que agem como filtros.

A inspiração para se fabricar uma câmera que pode perceber a presença de câncer veio porque o tecido canceroso refletem a luz de uma maneira diferente da que o tecido saudável. O sistema anterior de detecção de câncer através de luz polarizada era muito lento e podia levar a muitos erros. Inspirado nas células fotossensíveis dos olhos dos estomatópodes, os pesquisadores adicionaram filtros polarizadores no sensor da câmera utilizada. Depois de muitos testes onde a luz é filtrada em quatro direções, abriu-se a possibilidade realizar medições em tempo real, filmando a luz polarizada. De acordo com a luz emitida é possível saber se existe algum tipo de câncer ou não no local estudado.

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Os camarões louva-deus, que não são camarões e sim estomatópodes, tem olhos bem diferentes que estão ajudando pesquisadores da Universidade de Queensland a criar uma câmera que identifica tecidos cancerosos e até atividade cerebral. Foto: saveourgreen 

Os cientistas querem que no futuro a tecnologia esteja disponível para o público até mesmo em smartphones, e as pessoas possam monitorar sua saúde no dia a dia. Eles também ressaltam que se o estomatópode pode ajudar a inspirar uma ideia tão boa, é preciso pensar em quantas boas ideias não são perdidas sempre que um animal é extinto.

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estomatópodes porque o olho desses crustáceos é formado por um grupo de unidades conhecidas como omatídeos. Além disso, a luz passa por uma córnea e por pigmentos coloridos, é exposta a uma série de células fotossensíveis que agem como filtros. Foto: Societyforscience
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Inspirado nas células fotossensíveis dos olhos dos estomatópodes, os pesquisadores adicionaram filtros polarizadores no sensor da câmera utilizada. Foto: Wachalife

Fonte: exame