Comportamento

Eu falo muito sozinho, será que sou esquizofrênico?

Eu falo muito sozinho, será que sou esquizofrênico?
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Texto de Raquel Costa – Bióloga

 “Falo muito sozinho, comigo mesmo. Queria saber se isso é sinal de loucura, porque minha esposa diz que posso ser esquizofrênico.” (Carlos Borges)

 Carlos, para começar precisamos vamos entender o que seria a esquizofrenia, certo? A Esquizofrenia é considerada como uma síndrome psicopatológica e é caracterizada pela alteração do contato com a realidade (psicose).


Pode possuir manifestações variadas, desde o pensamento, percepção, emoção, movimento e comportamento. Pode ser caracterizada por sintomas como delírios, alucinações, catatonia que é uma perturbação do comportamento motor e que a pessoa pode ficar em uma posição rígida e imóvel durante horas, dias ou semanas, por exemplo. A manifestação destes sintomas varia com as características do paciente e com o tempo, mas o efeito cumulativo da doença tende a ser grave e persistente, constituindo-se no perfil de doença psiquiátrica crônica, com prejuízo sociofuncional marcante dos acometidos da esquizofrenia.

A esquizofrenia começa a se manifestar mais em pessoas jovens. Em homens, por volta dos 25 anos de idade. Em mulheres, por volta dos 29 a 30 anos. A incidência, porém, é igual nos dois sexos. Mas isso não quer dizer que a patologia não comece a se manifestar na infância. A proporção é de um homem para cada mulher com a doença. A genética é um fator importante, pois o risco sobe para 13%, se um parente de primeiro grau for portador da doença. Quanto mais próximo o grau de parentesco, maior o risco, chegando ao máximo em gêmeos monozigóticos. Se um deles tem esquizofrenia, a possibilidade de o outro desenvolver a esquizofrenia é de 50%.

A esquizofrenia começa a se manifestar mais em pessoas jovens. Em homens, por volta dos 25 anos de idade. Em mulheres, por volta dos 29 a 30 anos. Foto: Reprodução/psicologia

 

Será que “só porque falo sozinho, eu tenho esquizofrenia?”

A pessoa que possui a esquizofrenia, possui alterações em seu comportamento, como rir sem motivo, se tornar agitado, retraído ou até mesmo agressivo, guardar lixo dentro de casa, e sim pode falar sozinho. Mas o fato de se falar sozinho, não quer dizer que seja um caso de esquizofrenia.  Recentemente um estudo publicado na Quarterly Journal of Experimental Psychology, por Gary Lupyan e Daniel Swignley, explica que falar sozinho, dizer uma palavra em voz alta, ou dar “pistas verbais” ao seu cérebro, faz com que ele trabalhe mais rápido.

Já a psicóloga Lucia Bernardini avalia que falar é uma necessidade do ser humano. “As pessoas precisam se comunicar. É uma necessidade natural do homem o ato de conversar, de agir socialmente”, segundo a psicóloga, falar sozinho é normal, mas não quando se torna um problema social, pois há momentos para se falar sozinho, quando a pessoa se isola para conversar consigo mesma ou ainda fica andando na rua e conversando alto pode ser sinal sim de uma patologia.

John Nash, matemático norte-americano possui a esquizofrenia, o filme “Uma Mente Brilhante” foi baseado na sua vida. Outros famosos como William Chester Minor (cirurgião, e colaborador do famoso dicionário Oxford), Tom Harrell (compositor), Eduard Einstein (segundo filho do físico Albert Einstein), Roky Erickson (cantor, compositor e guitarrista, foi um dos membros do “13th Floor Elevators”), além destes, outros como a esposa de Abraham Lincoln, Mary Todd Lincoln, o pintor Pablo Picasso, Van Gogh, e o jogador de futebol americano, Lionel Aldridge foram algumas das pessoas famosas que sofrem ou sofreram de esquizofrenia.

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Lembrando que possuir qualquer dos sintomas citados, não é necessariamente obrigatório possuir a esquizofrenia, sendo muito importante uma avaliação médica. Foto: Reprodução/agendor

 

Fonte: TIME, Revista Brasileira de Psiquiatria, Terra.com

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