Animais

Pulgas D’água como bioindicadores de toxicidade





Cientistas tem usado Pulgas d’água para avaliar a qualidade da água tratada com produtos químicos para eliminar mexilhões. O mexilhão dourado (Limnoperna fortunei) possui uma grande capacidade de reprodução e dispersão. Originário da Ásia, a espécie foi introduzida no país através de navios cargueiros (estavam presentes em águas de lastro). Por ser uma espécie introduzida, ele praticamente não possui predadores naturais. Tornando-se um dos principais problemas ambientais enfrentados por usinas hidrelétricas no país, principalmente nas regiões sul e sudeste.

Essa espécie tem facilidade em se agrupar (colônias) em superfície sólida, causando entupimento de tubulações e filtros de hidrelétricas, causando mal funcionamento. O Método mais utilizado para combate da espécie invasora é a aplicação de cloro. Porém, esse produto é tóxico para meio ambiente e causa corrosões no local aplicado.


Afim de remediar esses dois problemas, pesquisadores investiram na busca de novas tecnologias. Desenvolveram uma nova fórmula que pudesse substituir o cloro   e combater o organismo invasor. Mas precisavam saber se essa nova fórmula era tóxica para meio ambiente. Para isso a empresa recorreu às Ciências Biológicas, mais especificamente ao Laboratório de Ecotoxicologia do Centro de Inovação e Tecnologia SENAI FIEMG – CETEC, passaram a analisar a interação de substâncias químicas no meio ambiente   e o que elas causam a seus organismos.

Os ensaios são executados por meio da observação de duas espécies de microcrustáceos bioindicadores, conhecidos popularmente como “pulgas d’águas” (ou dáfnias). A população destes animais é composta na maioria por fêmeas. Quando as condições ambientais tornam-se desfavoráveis (por exemplo, falta de alimento, congelamento ou seca do corpo d’água), passam a reproduzir-se sexuadamente; parte dos ovos que se estavam a desenvolver dão origem a dáfnias machos. Alimentam-se da mesma forma que as baleias filtradoras, filtrando o alimento da água. As suas pernas, são especializadas para ajudar na alimentação. A sua esperança de vida não excede um ano. Atualmente esses organismos são utilizados em bioensaios, ou seja, testes que usam organismos vivos na avaliação de toxicidade em áreas afetadas por efluentes industriais e domésticos.  Os pesquisadores dizem que o uso desse microcrustáceo se dá devido seu alto grau de sensibilidade a agentes contaminantes pela praticidade na realização dos testes. Ela complementa, existem outros seres biondicadores, porém, os testes com os mesmo demandam muito tempo.

No ensaio, as dáfnias foram divididas em dois grupos: agudo e crônico. O ensaio agudo tem por objetivo avaliar a mobilidade e letalidade, resultado fica pronto, 24 ou 48 horas. Já o ensaio crônico, tem por objetivo verificar o comportamento reprodutivo da espécie.  Resultado sai em 7 dias, sendo feito leituras diárias de acompanhamento.

dafnia

Daphnia sp. , também conhecida como pulga d’água. Foto: Reprodução/sta

Fonte: Jornal do Biólogo – CRBio4

Este texto é de autoria do Biólogo Paulo Alex

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