Existe algum problema em comer sopinhas desidratadas?

” As sopinhas desidratadas são saudáveis? Fui em uma palestra que disseram que usam vegetais puros desidratados. É a mesma coisa? Tem vitamina?” (Glaúcia Aparecida)

Gláucia, a melhor resposta para sua pergunta e outras tantas que envolvem Saúde, Bem Estar e a Biologia como um todo é: depende. Se considerarmos as sopas desidratadas como fonte alimentar substitutiva ou complementar, podemos afirmar que sim. Porém, se mantivermos esse tipo de alimento como fonte principal, aí a resposta é “não”.

Basicamente, esse tipo de sopa é composta por farelos de cereais e sementes, com o acréscimo de casca de ovo triturada, podendo ter ainda, em alguns casos, adicionada à sua composição, aquilo que a indústria chama de “massa protéica seca”, a qual pode ser de origem animal ou vegetal. A desidratação de alimentos, que é também conhecida por um termo mais bonito como “Liofilização”, não é uma novidade para a humanidade. Há registros do uso de sal e sol para a secagem de alimentos desde o período Neolítico (período da Pedra Polida – de 10 a 6 mil anos a.C), os quais usamos até hoje. Como exemplo posso citar a conservação do bacalhau, da carne-de-sol, das frutas e legumes desidratados; mesmo porque quanto menor a oferta de água, menor a probabilidade do ataque de bactérias.

Quimicamente, as sopas e esses alimentos desidratados, são bastante nutritivos, e podem, até mesmo, apresentar boas quantidades de vitaminas. Isso acontece por que, ao desidratarmos um alimento, aumentamos sua concentração, uma vez que a umidade é evaporada. Assim, substâncias importantes encontradas nos alimentos podem ser consumidas com maior facilidade e em maior quantidade por grama ingerido, como a pectina e o licopeno.

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Exemplos de frutas desidratadas. Foto: Reprodução/economia

Biologicamente, esse acesso fácil ao alimento nutritivo, cujo modo de preparo é rápido e prático, precisa ser visto com cuidado, pois, da mesma forma que se aumenta a concentração de nutrientes ao desidratar um alimento, também se aumenta seu valor energético. Ou seja, normalmente, são alimentos com alto valor calórico e com altas quantidades de sais.

Assim, é errado afirmarmos que 100g de frutas ou legumes desidratados equivalham a 100g de frutas ou legumes in natura. O valor calórico do desidratado deve ser considerado, de acordo com os nutricionistas, como três vezes maior que o valor calórico do alimento fresco. Ou seja, se uma maçã de 100g tem, em média, 40 calorias, a mesma quantidade desta mesma fruta desidratada terá aproximadamente 120 calorias.

 Por fim, vale lembrar que sob o aspecto econômico, produzir e transportar alimentos desidratados é mais fácil e barato, quando comparado ao alimento in natura, uma vez que exige menores cuidados com temperaturas e ainda ocupam menores espaços. Logo, o lucro com a comercialização desse tipo de alimento vai ser maior.  Cabe a nós, consumidores, considerarmos a fonte dos alimentos que foram utilizados no processo de desidratação, pois, normalmente, são usados os restos dos cereais, frutas e legumes que não passaram num controle de qualidade para serem vendidos in natura. Por isso, ao consumir alimentos desidratados, devemos, como bons amantes de Biologia que somos, investigar as fontes e matérias-primas utilizadas, bem como as empresas responsáveis pelo referido produto, para, então, julgarmos a qualidade e os benefícios desse produto para nossa saúde.

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As sopas desidratadas de boa qualidade mantém bom aspecto, textura e sabor quando preparadas adequadamente. Foto: Reprodução/saude.terra

 

 

Fontes: cpt,  scribd e mundoeducacao