É verdade que o leite materno é produzido diferente para menino e menina?

“É verdade que o leite materno é produzido com base no sexo do bebê? Ouvi dizer que o  leite para meninos  diferente do leite para meninas” (Adélia N. S.)

É verdade Adélia! Pesquisadores descobriram recentemente que há pequenas diferença na composição do leite. A formação do leite materno envolve todo um processo que começa antes mesmo do bebê nascer, ocorre no momento que há fecundação. A placenta em desenvolvimento estimula a liberação dos hormônios estrogênio e progesterona, os quais, por sua vez, deflagram o complexo sistema biológico que torna a lactação possível.  Já a produção do leite propriamente dito só tem início após o parto, quando outros hormônios, como a prolactina e a ocitocina, entram em cena. O sistema de distribuição do leite fica completamente pronto já no segundo trimestre de gravidez, para que a mulher possa amamentar o bebê mesmo que ele seja prematuro.

Para que o bebê possa mamar, é preciso que o leite “desça” dos alvéolos. O processo funciona assim: o bebê suga o mamilo, o que estimula a hipófise a liberar os hormônios ocitocina e prolactina para a corrente sanguínea. Ao alcançar seu seio, a ocitocina provoca a contração dos pequenos músculos ao redor dos alvéolos cheios de leite. O líquido passa então para os ductos, que o transportam para os ductos que ficam pouco abaixo da aréola do seio. Ao sugar, o bebê faz com que o leite dos ductos chegue à sua boca. Essa é uma maneira simples de ver como ocorre processo de formação do leite materno.

Pesquisas recentes mostraram que o leite materno possui diferentes concentrações de gorduras e proteínas  na sua composição, tanto nos seres humanos quanto em outros mamíferos, motivado principalmente, pelas diferentes necessidades nutricional de cada sexo. Foi feita uma pesquisa com 72 mães de uma aldeia queniana. As mães com bebês meninos, possuíam leite mais rico em gordura apresentando, 2.8% de gordura na composição, enquanto as mães de meninas possuíam uma concentração de gordura de apenas 0,6%. Em contrapartida, mães de bebês mulheres possuíam leite mais cremoso com taxa de 2,6% de  cremosidade contra 2,3%  do leite produzido para meninos.

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Pesquisas recentes mostraram que o leite materno possui diferentes concentrações de gorduras e proteínas na sua composição, tanto nos seres humanos quanto em outros mamíferos. Foto: Reprodução/vidamaternaanahd

A pesquisa mostra também que qualidade do leite materno varia muito de mulher para mulher, com diferentes quantidades de vitaminas, açúcares, gorduras, minerais e outros nutrientes, mas a razão destas diferenças ainda necessitam de estudos. Afim de verificar se o mesmo ocorria em macacos, foram conduzidos pesquisas com os mesmos e constataram semelhanças nos resultados. Os pesquisadores acham que entender essas diferenças nutricionais entre leites maternos diferentes espécies, pode trazer mais informações sobre a evolução humana.

Uma curiosidade!

Sabia que toda mulher, mesmo que não esteve grávida, pode produzir leite? O mais incrível é que essa fábrica pode funcionar até mesmo em uma mulher que só adotou uma criança, sem ficar grávida. Uma das técnicas que ajudam nesse condicionamento é a mãe adotiva colocar a criança para mamar seguidas vezes. É demorado, mas compensa, principalmente para o bebê. O rango materno é uma refeição nota 10, rica em gordura, sais minerais, vitaminas e substâncias essenciais que protegem contra doenças. Esse leite é tão completo que, nos primeiros meses de vida, o bebê não precisa ingerir mais nada – nem mesmo água!

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Anatomia da mama. Foto: Reprodução/keckmedicine

Fontes: scientificamericandailymail,drauziovarella guiadobebe

Este texto é de autoria do Biólogo Paulo Alex