De onde vem a revoada de cupins (aleluias)?

“Quem são aqueles bichinhos de asas grandes que voam em revoada em volta das lâmpadas?” Judith

“Karlla, como faço para me livrar de revoada de aleluia? Tá me deixando louca.” Cássia Carneiro – SP

“Por que as aleluias fazem aquelas revoadas? por que as asas caem?” Jorge Nascimento

Judith, Cássia e Jorge, as aleluias (ou siriri ou sarara em algumas regiões do Brasil) são insetos da ordem Isóptera. Os isópteros são insetos sociais como as abelhas e formigas. Vivem em cupinzeiros (ou termiteiros) com a sociedade dividida nas seguintes castas: os reprodutores, que são os indivíduos com asas (esses que entram na nossa casa a noite) machos e fêmeas que são encarregados de propagar a espécie fora do cupinzeiro em que nasceram. O casal se encontra e inicia o processo de construção do próprio ninho, vivem juntos por toda vida nas profundezas da nova colônia. Os soldados (fêmeas) e operários (machos) são formados por formas sem asas e estéreis e tem a função de cuidar do cupinzeiro tal como formigas operárias fazem.

As revoadas são formadas, claro, pelos machos e fêmeas reprodutores. Eles deixam seus respectivos ninhos em busca de um companheiro para iniciar uma nova colônia. Geralmente, na primavera e verão (épocas úmidas) milhares de reprodutores se preparam para a revoada. Primeiro, sob ação de hormônios sociais, as formas aladas, são enviadas a compartimentos subterrâneos. A saída para fora do cupinzeiro é fechada por centenas de operários, o que provoca uma compressão dentro das câmaras de espera. Há um momento, que todos aqueles reprodutores presos são acometidos por um frenesi. Produzem intensa vibração com as asas, provocando calor, os operários então, abrem a saída e milhares de casais saem em revoada numa gigantesca e efêmera nuvem de insetos, ocorrida geralmente no crepúsculo. É incrível! Para se livrar da revoada dentro de casa, com a chegada dos primeiros indivíduos, feche as portas e janelas e apague as luzes!

cupins
As revoadas são formadas, claro, pelos machos e fêmeas reprodutores. Eles deixam seus respectivos ninhos em busca de um companheiro para iniciar uma nova colônia.

Uma vez fora, saem voando direcionados pela luz, por isso aparecem sempre na lâmpada da nossa casa. Eles não sabem que aquela é uma luz artificial! Então, longe do cupinzeiro onde nasceram os reprodutores perdem suas asas, isso ocorre naturalmente. Uma vez no solo, ou sobre a madeira, se tiverem sorte, encontram o companheiro para o primeiro ato sexual e então o casal se torna um casal real que inicia a escavação de uma galeria, terminada numa cavidade mais ampla, chamada câmara nupcial, onde após alguns dias ocorre a primeira cópula e a fêmea coloca os primeiros ovos.

Bom, cerca de um mês depois da revoada, encontro do casal real, abertura da galeria e postura dos ovos, aparecem as primeiras formas jovens, que serão criadas pelo casal real. Quando estas jovens começarem a se locomover, o casal real passa a ter apenas a função de procriar e o macho fecunda a fêmea periodicamente; o casal real permanece na câmara nupcial que é alargada pelas operárias para acomodar o corpo da fêmea.

soldados
Castas: Reprodutor, soldado (fêmea), Operário (macho)

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O abdômen da fêmea  pode atingir até 2.000 vezes o volume do resto do corpo. Ou seja, a fêmea “engorda” pra caramba depois de “casar”!!!